segunda-feira, 25 de setembro de 2017

DESEJO e FELICIDADE

🔼DESEJO e FELICIDADE🔼
Os desejos quando REALIZADOS deixa o sujeito SATISFEITO. É o que se chama socialmente de FELICIDADE. Essa satisfação não é permanente, pois o desejo é VOLÁTIL. Uma vez satisfeito, o desejo quer se satisfazer novamente, e ( dependendo do sujeito), através de diferentes maneiras.
Quando o desejo NÃO é satisfeito, torna-se um "problema". E esse problema, que têm raízes profundas  (inconsciente),  envia sinais de sua INSATISFAÇÃO à  superfície de nossa consciência. Esses sinais podem se manifestar,  superficialmente, de diferentes maneiras:
1-  Quando o sujeito não sabe qual é o seu desejo.
2-  Quando se angustia por desconhecer o seu desejo.
3- Quando descobre qual é o seu desejo, mas se sente impedido de realizá-lo.
4- Quando ACHA que seu desejo tem que seguir um padrão ou ser igual ao de todo mundo (obs.: O desejo é sempre SINGULAR ao sujeito).
5- Quando não aceita o seu desejo.
6- Quando se manifesta através de sintomas.
Entre outras coisas.  Acrescenta-se a isso que, quando o sujeito não SATISFAZ  o seu desejo, nasce aí um mal estar psíquico, sentido como angústia, que pode se manifestar através de sintomas, atos falhos, lapsos de linguagem, sonhos (oníricos), e inclusive, através de piadas  (chistes) contadas, despretensiosamente, como fim de alívio.
Porém "aliviar" o desejo e "satisfazer" o desejo são coisas completamente diferentes. Mesmo que o desejo seja por natureza INSACIÁVEL, ele busca sempre se  realizar. Mas o problema não é o desejo ser insaciável. O problema é ele não encontrar vias para sua "possível" realização. Não encontrando essas vias, "o desejo se angustia" e o que vemos superficialmente  é apenas a ponta do iceberg. Ou seja, apenas seus "reflexos".
Pode parecer redundante, mas a melhor maneira de se lidar com esses "reflexos" é APRENDER a lidar com eles. Como? Fazendo análise. Não uma análise qualquer, mas uma análise dentro de uma psicanálise; ou um tratamento com um profissional que trabalhe com uma orientação psicanalitica.
Todo o contexto acima foi elaborado dentro das teorias psicanalíticas.
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Autor: Anderson Gomes
Psicólogo de orientação lacaniana

domingo, 24 de setembro de 2017

Homossexualidade não é doença

Que bonita reportagem passou agora no FANTÁSTICO: explicitando que o DESEJO, também chamado de orientação sexual, NÃO é reversível. Não há nada para reverter na sexualidade humana, seja ela "classificada" socialmente como heterossexual, homossexual, bissexual ou transexual. Nesse sentido, acrescento que em se tratando de DESEJO, a questão não é versão ou reversão. A questão é EXPRESSÃO ou REPRESSÃO. E nesse último caso, o sinônimo de "REPRESSÃO SEXUAL" é  a chamada "Cura gay".
Se não quisermos  adoecer, expressemos nossos sentimentos. Se quisermos descobrir o que é felicidade e bem estar: EXPRESSEMOS nossos  DESEJOS. Porém, realizá-los não é coletivo. É uma satisfação SINGULAR e particular a quem deseja.
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Autor: Anderson Gomes
▶[Psicólogo clínico de orientação lacaniana]◀

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Cura gay?

RETROCESSO: Acabou de sair uma decisão da Justiça do distrito federal que autoriza psicólogos a tratarem a HOMOSSEXUALIDADE  como (se fosse) doença. Sabe-se que, há muito tempo,  o Conselho Federal de Psicologia (CFP) tem lutado contra esse retrocesso jurídico que remonta o período medieval. Período esse em que a sexualidade humana servia apenas para fins reprodutivos. Qualquer comportamento sexual que se desviasse do padrão, era visto como ameaça à moral  e os bons costumes. Será que estamos tão longe da  a idade média? Sabe-se que, INFELIZMENTE, há psicólogos que tentam, AINDA, a todo custo, associar CIÊNCIA à religião... Não bastando  a associação entre religião e  POLITICA desde à época em que a Igreja e o Estado eram um só. Na correnteza soturna em que estamos caminhando atualmente, nunca é demais lembrar dos dias vividos no século XV. Não existia lá naquela época a palavra "SEXUALIDADE". Existia apenas a palavra "SEXO", visando apenas a procriação e perpetuação da espécie humana.  Mas qualquer prática sexual que não fosse entre homem e mulher era remetido à CULPA ou associado a palavra: PECADO. Em último caso,  o "pecador" homossexual que não se arrependesse ou não deixasse  a sua prática sexual com homens, era sentenciado à fogueira, quando não à guilhotina. E quem decidia sobre a vida e a morte do condenado?  A "Santa Inquisição". "Em sua aliança com o poder monárquico, a Igreja ajudou a REPRIMIR os costumes, utilizando a chamada Santa Inquisição. [...] o sexo também era violentamente reprimido. Não sem resistência" (LINS, 2005).
Em pleno século XXI,  essas constantes associações  politico-religiosa,  visam através de alguns psicólogos cristãos, com o apoio da sua bancada evangélica, a  possibilidade jurídica da, então chamada, "cura gay". Digo "possibilidade jurídica" porque fora dos dispositivos jurídicos não há possibilidade de cura para o que não é doença. Não há cura para o desejo humano. Só humanos desejam. Animais têm instinto. Só animais são adestrados.  
Falar sobre "cura gay" é falar como se  a homossexualidade tivesse a ver com a educação ou com a má educação recebida; ou até mesmo com o (mal) comportamento aprendido. Como se a homossexualidade fosse, portanto, passível de conversão ou reversão SEXUAL. Nesse sentido, o termo "SEXUAL" empregado por esses "curadores"  se limita ao palpável, ao que pode ser aprendido,  condicionado ou educado. Muitos ditos profissionais da psique humana, chegam, inclusive, a citar a expressão: "Comportamento sexual" quando se referem a homossexualidade. Outros se referem a ela como apenas atração ou "desvio" sexual. Porém, convém informar que, pelo menos em psicanálise,  o conceito de homossexualidade​ NUNCA FOI comportamental. E dentro da  PSICOLOGIA, ciência do comportamento humano: NUNCA houve um consenso sobre a origem da homossexualidade entre seus mais variados teóricos e abordagens. Ainda vale à pena ressaltar que, HOMOSSEXUALIDADE, está muito mais além do que se entende como atração sexual. E não existe apenas uma maneira de vivenciar a homossexualidade, pois não existe "a" homossexualidade. Mas existem as homossexualidade'S (no plural).
Mas ao nos referirmos às homossexualidade'S, mesmo que no  singular, convém sempre enfatizar que HOMOSSEXUALIDADE é DESEJO​ e também sentimento.... E não se educa o DESEJO. Ou se satisfaz o desejo ou não o satisfaz. E não satisfazer o desejo está mais para REPRESSÃO da libido ou REPRESSÃO sexual. REPRESSÃO é qualquer outra coisa, menos "cura". E  Por que? Simplesmente porque desejo NÃO se cura.
Em pleno mês de setembro, onde campanhas visam a conscientização da população à prevenção do SUICÍDIO, nada mais oportuno que lembrar também que REPRESSÃO também pode levar ao suicídio.
- Quantos homossexuais se matam todos os dias por não se aceitarem como são?
- Quantos homossexuais masculinos e femininos não recebem apoio da família e tiram a própria vida?
- Quantos homossexuais são vítimas de outros homossexuais enrustidos? Ou seja, quantos homossexuais  são vítimas de HOMOFOBIA?
A quem essa decisão da justiça irá beneficiar?  A moral e os bons costumes? Quais bons costumes?
- Será que realmente é de COSTUME que estamos falando? Não confundamos  COSTUME  com DESEJO.
COSTUME: é comportamento humano. É palpável. COSTUME pode ser aprendido, adequado,  moldado e mudado.
Mas o DESEJO não é palpável. DESEJO não é aprendido. DESEJO se sente ou NÃO se sente. Pode-se fingir um comportamento, até mesmo por CONVENÇÕES ou cobranças sociais. Mas não se pode fingir ou enganar o desejo. Ou seja, DESEJO NÃO É COMPORTAMENTO.
"O DESEJO no inconsciente é  indestrutível" (JACQUES LACAN,1995).
Diante disso, URGE, mais do que nunca, a NECESSIDADE de se inserir na grade curricular dos cursos de PSICOLOGIA uma disciplina que aborde a sexualidade humana em sua SUBJETIVIDADE.
Inserir  nas escolas e universidades de diversos cursos uma disciplina sobre SEXUALIDADE HUMANA, poderia diminuir a formação de profissionais IGNORANTES (sem conhecimento),  pelo menos no que concerne a distinção entre SEXO (biológico); e SEXUALIDADE (subjetividade). Conhecimentos básicos que não fariam mal a nenhum cidadão ou profissional, independentemente da  crença religiosa que possam ter.
Diante do retrocesso decidido hoje pela justiça do distrito federal, embora o CFP ainda vá recorrer até às últimas instâncias,  nunca será demais informar, sempre que tenhamos oportunidade, que sexo genital é biológico e diz respeito, entre outras coisas, a reprodução humana. Mas SEXUALIDADE está para além do puramente orgânico. Sexualidade TRANSCENDE ao sexo em sua biofisiologia. Sexualidade é DESEJO e diz respeito a SINGULARIDADE do sujeito.
SEXUALIDADE É VIDA!
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Anderson Gomes
(Psicólogo de orientação lacaniana)

domingo, 27 de agosto de 2017

A você, Psicólogo

💛A VOCÊ PSICÓLOGO💛
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💛 Parabéns a você e a todos nós psicólogos,
Que damos às PALAVRAS de quem nos procura: o VALOR que lhes foram tiradas.
💛 Parabéns a você e a todos nós psicólogos que devolvemos esperança aos deseperados.
💛 Parabéns a você e a  todos nós psicólogos, que conseguimos com nosso trabalho, dar CRÉDITO a quem, muitas vezes, não se acredita mais.
💛 Parabéns a você e a todos nós psicólogos, que abrimos a  porta do nosso SER,  ao escutar o desconhecido de outro SER; ofertando meios para que ele SEJA o que DESEJAR.
💛 Parabéns a você e a todos nós psicólogos, que RECEBEMOS, em  consultório, aqueles que não se sentem mais RECEBIDOS como realmente são.
💛 Parabéns a você e a  todos nós psicólogos, que todos os dias ajudamos a vida de tantas vidas a serem mais VIVAS.
💛 Parabéns a você e a todos nós, psicólogos, que escolhemos esta profissão, não só como ofício, mas principalmente como AMOR.
💛 Parabéns a todos nós psicólogos que, apesar das dificuldades da lida, nunca deixamos de vislumbrar melhores dias.
💛 Parabéns a você e a todos nós psicólogos, que, mesmo com nossos problemas humanos, nunca deixamos de nos cuidar  para ter condições de cuidar melhor de outro ser humano.
💛 Parabéns a você e a todos nós psicólogos que conseguimos exercer bem nosso compromisso consigo e também com o outro, independentemente do RECONHECIMENTO que merecemos no exercício da nossa profissão.
💛 Parabéns a você e a todos nós que transcendemos a palavra: "PSICOLOGIA" ao  AMOR  pela - PSIQUÊ - humana.
🔺27 de agosto é o dia oficial do psicólogo. 🔺
Mas ele tem mais de um dia especial no calendário da alma. No calendário do coração.
Embora psicólogo não bombeie sangue, ele pode, muito bem, bombear VIDA... Salvando VIDAS.
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autor: Anderson Gomes

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A Submissão da Mulher, no século XXI

Antes de comentar sobre o assunto, gostaria de convidá-los a assistir a este pequeno vídeo de 1 minuto, através seguinte link do YouTube:
https://youtu.be/_npI0ylGhKU
A notícia é sobre a condenação do deputado federal Jair Bolsonaro. Apesar de ser uma vitória para a igualdade social e dignidade humana,o caso é muito mais sério do que se pensava. Pois há ainda, muitos que lamentaram esta sentença judicial. Nesse sentido, ao DEFENDER um homem que faz apologia ao estupro, os eleitores do Bolsonaro podem estar enxergando nele o exemplo de homem que tiveram em casa. Podem estar achando normal uma mulher ser pega à  força para cumprir suas "obrigações" medievais de mulher submissa. Mulheres que obedecem aos seus maridos como chefe, como autoridade, como dono delas... Porque só ao patrão ou ao chefe deve-se obedecer e servir por obrigação. Vale à pena diferenciar os verbos: OBEDEDECER e CONCORDAR. Pode-se OBEDECER a uma norma ou pessoa sem CONCORDAR com ela. Não havendo concordância, pode haver aí uma obrigação. Em muitos relacionamentos conjugais a mulher não opina. Apenas OBEDECE. Inclusive nas relações sexuais. Pois, muitas vezes não se tem relação sexual por desejo. Mas por CONVENÇÕES sociais e, outras vezes, por fundamentos e recomendações bíblicas, entre eles, o seguinte:
"mulheres sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o CHEFE da mulher" (Efésios 5:22,23).
Não é de se espantar que ainda hoje, século XXI, existam mulheres que apanham caladas de seus parceiros-chefes. Chefes que escolheram para suas vidas tal qual fizeram também suas mães e avós.Muitas vezes, a mulher agredida não se cala por medo. Se cala em nome de uma sociedade que ainda acredita que a mulher é inferior ao homem e, por isso, deve-lhe submissão. Mas que bom, que através da pena aplicada a Jair Bolsonaro, essa visão deturpada em relação a mulher, começou a mudar e ganhar mais força, juridicamente.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Nenhuma mulher merece ser estuprada

➡Nenhuma MULHER 'merece' ser estuprada... sob nenhuma hipótese ou argumento.
Estupro não é merecimento. Estupro é crime! É violência! É violação da integridade física, emocional e psicológica. Será que ainda alguém tem dúvidas disso???
Sim, ao que parece... São inúmeras as pessoas que apoiam a fala potencial de um estuprador de mulheres bonitas. Assim,  também é a fala de Jair Bolsonaro, que, segundo suas próprias palavras, só não estupraria Maria do Rosário porque ela é feia. Em outras palavras, eu entendi que se ela fosse bonita ele a estupraria. Mais grave que isso é estarmos submetidos ao seu critério de beleza. Nesse raciocínio, a cada mulher na rua que julgasse feia ele diria:
- só não te estupro porque você é feia!
Estamos diante de um discurso de um estuprador seletivo? Talvez. Mas será que existe estuprador seletivo? Ou será que existe estupradores que subvertem a lei para promover o estupro? Mais grave que isso, são aqueles eleitores que colocaram Jair Bolsonaro  como representante do povo. Pois é preciso muitos votos para eleger um deputado federal. Ou seja, são muitos votos que concordam com o pensamento dele sobre o estupro, tortura e a volta da  ditadura militar.  Isso é gravíssimo!
Mas, em meio a tanto retrocesso, felizmente, as milhares de Marias do Rosário do nosso Brasil já podem comemorar a vitória dada pelo Superior Tribunal de Justiça, que hoje, dia 15,  manteve por unanimidade, a condenação desse deputado  (Bolsonaro)  por danos morais contra a  deputada Maria do Rosário.
Fico pensando se esses eleitores do Bolsonaro tem mãe, se tem irmã, se tem filha ou mulher na família. Caso tenham, fico pensando também se  todas elas seriam feias, o suficiente, para estarem imunes ao  discurso estuprador daquele deputado federal. Seriam esses eleitores tão ingênuos, assim, para confiar na pretensa seletividade  de beleza do Bolsonaro? 
  - Que tratamento seria destinado às mulheres se por  caso um dia, algum estuprador fosse eleito presidente da república???
- Que mensagem nosso povo brasileiro estaria dando nas urnas, às mulheres de sua vida?
Me pego pensando, nesse momento, no tipo de IDENTIFICAÇÃO  masculina que os eleitores do Bolsonaro tiveram em sua infância...  Como era o pai que tiveram? E como  esse pai TRATAVA  a mulher que escolheu como mãe de seus filhos?
Essas perguntas podem muito bem se traduzir na seguinte frase: "Traumas não tratados não ficam engarrafados"... Voltam em forma de Bolsonaro e seus 'bolsomitos'. Ou seja, voltam em forma de REPETIÇÃO. Repetição da violência doméstica e social que encontra a sua  metáfora na figura dos Bolsonaros da vida.
Porém, nunca é tarde para procurar um TRATAMENTO psíquico. Seja ele psicanalitico ou psicológico. O importante é tratar os traumas, tratar as feridas da alma, tratar as feridas deixadas durante toda uma vida de agressões físicas e verbais. O importante é se cuidar. Nunca é tarde para recomeçar.
#foraviolencia

domingo, 6 de agosto de 2017

Tempo para NADA

Hoje, enquanto pagava minhas compras em um super mercado, do nada, a atendente do caixa iniciou um curto e cansado desabafo:
- Hoje eu estou cansada.
Eu calado estava e calado fiquei. Senti que ela precisava desabafar. E continuou dizendo:
- Eu estou realmente cansada. Mas de não fazer nada. Porque não é o trabalho que me cansa. Aqui eu não me canso. Fico só sentada, no caixa.
Nesse momento,  eu interrompi seu desabafo e perguntei:
- Mas ficar no caixa, "sentada", não é um trabalho?
Ela apenas balançou a cabeça em positivo.
E aí acrescentei:
- então não é só o corpo que trabalha. Não é só o corpo que se cansa. A mente trabalha também.
- É muito estresse. - Disse ela. E eu completei sua frase dizendo:
- Muito estresse, muita tensão, muita ATENÇÃO. Ou seja, um caixa  exige muito trabalho. Nesse momento se aproximavam outras pessoas para serem atendidas nesse caixa e nós fomos encerrando nosso rápido diálogo. Ainda deu tempo de sugerir que, quando ela pudesse, procurasse um lazer para descansar a mente cansada; uma vez que ela pôde perceber que a mente também precisa receber  seus próprios cuidados. A mente precisa ter seu próprio tempo. Ela respondeu baixinho que só tem folga quinzenais. E já na saída eu falei:
- Então agora você sabe como  sua mente está cansada... E NÃO  é de fazer nada. É de não ter nada para "fazer"... Ou seja: de não entrar em contato com o NADA.

sábado, 6 de maio de 2017

Não se nasce pela metade

Não se nasce pela metade. O ser humano nasce inteiro; embora possa ser dividido pela linguagem, posteriormente. O que NÃO significa que ele viva pela metade. Pode- se viver INTEIRAMENTE dividido sem que essa divisão (psíquica) seja a metade de outra pessoa. E isto porque divisão NÃO quer dizer , necessariamente, METADE. Divisão pode ser também DEMARCAÇÃO, delimitação ou  indicação  de pontos restritos da subjetividade do sujeito (do INconsciente).
DIVISÃO pode ser também lacuna, fresta, VAZIO.  Significa também que nem tudo  no sujeito (do INconsciente) pode ser acessível e nem precisa estar acessível.
Nem tudo pode ser dito: Sempre haverá um DIZER.
Nem tudo pode ser preenchido nem precisa ser. Sempre haverá um VAZIO na alma (psiquê). VAZIO​ este característico daquilo que nos torna seres desejantes: a divisão  (psíquica). Àquilo que traz a constante insatisfação humana e a sua ILUSÃO em buscar  ser SACIADA​ e preenchida pela metade de alguém (como se isso fosse possível). Até que um dia, "cada alguém"  consiga se trabalhar ([Psic] analiticamente) seu próprio VAZIO, e assim, possa então perceber, internamente, que mais importante que COMPLETAR-SE, é entrar em contato com esse VAZIO; aprendendo  a lidar com ele (ao invés de consumido por ele).
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Texto: Anderson Gomes

domingo, 30 de abril de 2017

TEMPO para ser HUMANO

Esta semana, em um supermercado, no farol, fui comprar uma lâmpada nova para o abajur do meu consultório. Na sessão de acessórios para eletrodomésticos, eu  não conseguia  fazer aquele bendito teste girando a lâmpada no bocal adequado, para ver se o produto estava funcionando.💡  Testei algumas e nada...
-- Ou o bocal está quebrado, ou as lâmpadas estão queimadas ou sou eu mesmo que não estou girando a lâmpada corretamente. -- Pensei. Nessa hora não aparece um atendente para dar uma mãozinha. Para que serve as câmeras "sentinelas", afinal? Não vou nem citar o nome do supermercado porque já notei que essa falta, é um mal geral. Tende somente a se propagar entre outros supermercados.
Um senhor, bem velhinho,  apareceu do nada e me auxiliou. Interessante foi a maneira que ele me abordou:
- eu não trabalho aqui e não estou ganhando nada com isso, mas não me custa  tentar te ajudar  depois de perceber o TEMPO que você está aí tentando. - Disse ele. Segurou a lâmpada e na primeiro "giro" no bocal: "plim"💡a lâmpada acendeu! Agradeci, sorridente, a cordialidade e atenção daquele idoso, que, em seguida, sentou-se em uma mesa em que já estavam​ seus amigos. Parecia que ele já estava lá antes quando parou para me prestar um auxílio.
- É muito incomum, nos dias de hoje, encontrar alguém que disponha um pouco do seu TEMPO​, desinteressadamente, em favor de outra pessoa.  - refleti.
- Será coisa de idosos?
- Será que a educação de hoje não é mais como antigamente?
- Será que a violência tem tirado a sensibilidade das pessoas?
- Ou será que ninguém tem mais TEMPO para enxergar um outro ser humano, SIMPLESMENTE,  como um ser HUMANO?

sábado, 22 de abril de 2017

Estou SOLTEIRA... e agora?

Hoje à tarde, no show de calouros do Programa Raul Gil, a cada candidata  SOLTEIRA que entrava no palco,  ouvia-se o diálogo socialmente REPRODUZIDO (e cobrado) nas  mídias, festas, bares e seio familiar (onde tudo se inicia):
❇ RAUL GIL: Que jovem bonita. Qual seu nome?
✴ CANDIDATA: fulana de tal.
❇ RAUL GIL: Está namorando?
✴ CANDIDATA: não.
❇ RAUL GIL: Não??! (espanto).👀
✴CANDIDATA: Não.
(Raul Gil, aparentemente surpreso, se dirige ao seu público e diz) :
❇: Olhaaaaaaa !👀

Parece que esse é o discurso social e obrigatório do status: "NAMORANDO", que paira como uma nuvenzinha carregada sobre aqueles que se acham alvos da SATISFAÇÃO alheia. Sim, "satisfação" do Outro, ao Outro e para o Outro. É em nome dessa "satisfação" social que, paradoxalmente, temem  o dito popular: "antes só do que mal acompanhado". É em nome dessa "satisfação" que temem a expressão socialmente compartilhada:  "ficar pra titia".
É em nome da satisfação do Outro que muitos se esquecem ou continuam se esquecendo de SI MESMOS... Como se fosse um casamento ou um relacionamento COMUNITÁRIO em que não se pode estar SOLTEIRO para o " bem geral da nação".
Vivemos ainda em uma época em que todos os dias se faz  a REPRODUÇÃO do discurso do dia 07 de setembro de 1822:
"Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, digam ao povo que fico". Diga ao POVO que estou NAMORANDO. Diga ao POVO que não sou mais virgem.
Diga ao POVO que estou grávida, mas eu vou casar.
Diga ao POVO que não sou vadia(o).
Diga ao POVO que não sou bicha (o).
Diga ao POVO que sou casada (o).
Diga ao POVO que não sou sozinha (o).
Diga ao POVO que olhe como sou feliz no Facebook.
Diga ao POVO que CURTAM minhas fotos.
Diga ao POVO qualquer coisa, mas diga.
É em nome da "satisfação" geral da nação que se pode satisfazer a muitos, menos a SI MESMO. Porque satisfação social é uma coisa e satisfação pessoal é outra coisa totalmente diferente. Saber onde começa um e termina o outro pode ser considerado,  simbolicamente, como o dia da INDEPENDÊNCIA (do sujeito). O que  satisfaz a um pode não satisfazer ao outro e vice versa. Porque cada ser é único. E a satisfação pessoal é SINGULAR. Cada um sabe (ou poderia saber) onde seu sapato "aperta", mesmo que goze com esse "aperto". Cada um tem seus pontos sensíveis e particulares de gozo. Há vários modos de gozo; inclusive: goza-se solteira e/ou solitariamente. O que não quer dizer que seja um gozo infeliz. Pois, não existe gozo feliz ou infeliz. Existe GOZOS.  Existe gostos. E "gosto não se discute". Eis aí mais um jargão social, e este, ao que parece: quase ninguém faz questão de RESPEITAR.

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Texto:  Anderson Gomes

sexta-feira, 17 de março de 2017

As cores da vida

Em um dia ameno de sol, disse dona Flor à srtª. Borboleta, em meio a uma conversa colorida:
-- As tuas cores são lindas. Mas não gosto do fato de elas se parecerem com a singularidade das minhas pétalas. Pois cada cor que tu vês em mim, brotou do delicado processo do desabrochar.
-- Mas as tuas cores são tuas. -- Respondeu srtª. Borboleta. --As minhas cores são as minhas cores. E por mais que elas se pareçam com as tuas pétalas, minhas cores são únicas... extraídas, especialmente, do complexo processo de transformação, no casulo da vida, de onde renasci e descobri que cada cor, na natureza, tem a sua própria história. Tenha um bom dia.
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autor: Anderson Gomes/psicólogo clínico

terça-feira, 14 de março de 2017

Palavras

Palavras...
Não seriam mais que palavras,
Não fossem também carvão;
Eis a combustão da alma,
Eis a sua expressão.
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Palavras...
Não seriam mais que palavras,
Não fosse também brasa;
Podendo queimar ou aquecer
Nossa parte mais delicada.
-
Palavras...
Não seriam mais que palavras,
Não fossem também arma;
Faca que se defende
Ou que de outra forma ataca.
_
Palavras...
Não seriam mais que palavras,
Não fossem também  massa;
Molda-se conforme o momento
Fere, assim como afaga.
-
Palavras...
Não seriam mais que palavras,
Não fossem também água;
Presente em muitos barris,
Presente em muitas taças.
-
Palavras...
Não seriam mais que palavras,
Não fossem também alimento;
Muitos pagam por ela,
Outros a bebem de graça.
-
Palavras...
Não seriam mais que palavras,
Não fossem também raça;
Produtora de muitas culturas
Ou produto da indiferença.
-
Palavras...
Não seriam mais que palavras,
Não fossem também viva:
Podendo restaurar uma vida,
Como ser a sua desgraça.
-
Palavras...
Não seriam mais que palavras,
Não fossem também substância:
Podendo ser embrião;
Como pode ser uma traça.
-
Palavras...
Não seriam mais que palavras,
Não fossem também oportuna;
Podendo destruir uma alma
como pode também salvá-la.
-
Palavras...
Não seriam mais que palavras,
Não fossem também tratamento,
Instrumento de psicólogos
Para a psiquê humana.
-
Palavras...
Não seriam mais que palavras,
Não fossem também LUZ.
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Ilumine-se !
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autor: Anderson Gomes
[psicólogo clínico e poeta]
CRP-15/3315
(82) 987037038

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Desejos à céu aberto

- O que seria de nossa sociedade oprimida e, ao mesmo tempo, opressora, SE, ao menos, uma vez ao ano, não pudesse extravasar suas cores, suas dores, seu riso contido, seu risco assumido; seu desejo latente?
- O que seria de nosso povo sofrido e explorado, SE, ao menos uma vez ao ano, não pudesse trazer à luz do dia suas fantasias "noturnas"?
- O que será das pessoas amargas, se não forem tratadas, se não largarem suas cargas, para, ao menos, uma vez ao ano, esquecerem suas armas sempre apontadas?
- O que será de quem já não sabe mais soltar uma altíssona gargalhada?
- O que será do riso frouxo e da alegria não calculada?
- O que será dos fiéis guardiões da folia e das palhaçadas?
- "O que será, que será?
O que não tem decência nem nunca terá
O que não tem censura nem nunca terá
O que não faz sentido" (BUARQUE, 1976).
- O que será da moral e dos bons costumes?! - exclamam os acostumados.
Diante disso, vale à pena lembrar que:
COSTUMA-SE, pelo menos uma vez ao ano, dar-se uma folga; dar-se um afago; dar-se um "à tôa"; entregar-se a SI mesmo; dar-se uma trégua e ficar numa boa à céu aberto...
Pois já temos todos os outros dias úteis do ano para ocupar-nos com todas as outras coisas certas e incertas.
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Texto: Anderson Gomes
[psicólogo clínico]

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Pessoas Mal Amadas

Ao chegar no portão de casa, gritou com o cachorro e por pouco este, não recebeu um carinhoso pontapé. Em seguida, entrou em casa depois que as portas surradas anunciaram bem forte a sua chegada. Tomou o seu banho e parecia que a água não estava do seu agrado. Trocou de roupa, após escolher entre as duas últimas camisas limpas da gaveta. Avistou as contas que tinha para pagar e as abençoou com vários palavrões jamais ouvidos na face da terra. Jantou, após abrir seus enlatados ao som de suas próprias ladainhas. Em seguida foi para o momento mais feliz das sua vida: entrar na internet com a senha "oculta" do vizinho. Postou uma foto com um sorriso legendado, e nele dizia: "Como é bom chegar em casa, depois de um dia incrível de trabalho num abrigo para idosos". Isto acontece todos os dias na vida de milhões de pessoas ao redor do mundo. Seja numa grande empresa, seja num micro negócio.O relato acima é um CONTO, uma ficção que eu acabei de escrever para ilustrar como é importante saber escolher ou indicar um bom profissional para cuidar de nós mesmos ou de nossos amigos ou familiares. Pois não basta ser AMIGO para indicar alguém a cuidar de outro alguém. Nem é preciso ser seu vizinho para saber de seu comprometimento humano. Atos falam mais alto que palavras. São nas pequenas coisas que se revelam as maiores. São pequenos gestos que demonstram o amor ou o desamor pela vida. Seja ela pública ou privada.Todo ser humano têm problemas. Todos têm seu dia ruim. Mas a questão não são os problemas ou os dias ruins. Mas a MANEIRA de se lidar com eles. Ou seja, a questão é como lidamos com nossas próprias EMOÇÕES.Lembremo-nos que saúde EMOCIONAL é coisa séria e nem todos têm. Há pessoas totalmente "desequilibradas" cuidando de outras pessoas. E que tipo de CUIDADOS elas poderiam dar???É preciso mais que amizade ou simpatia para indicar os cuidados profissionais de alguém.Na internet não é diferente. Lá é a vitrine da vida íntima e pessoal de milhões de PROFISSIONAIS. E eis aí duas palavras opostas na mesma frase e que ocupam, igualmente, o mesmo metro quadrado nas redes, ditas, sociais: O ÍNTIMO e o PROFISSIONAL. Onde uma palavra acaba repercutindo na outra. Ou seja, questões pessoais repercutindo no setor de trabalho e questões profissionais repercutindo em casa, como se o ambiente familiar fosse uma válvula de escape para as tensões, sobrando, inclusive, para gato, cachorro e periquito.Chegar em casa e se sentir bem em casa OU chegar no trabalho e se sentir bem no trabalho, requer cuidados especiais. Requer cuidados EMOCIONAIS. Há quem trabalhe por obrigação e há os que trabalham com amor; independentemente da classe social e mesmo diante da crise por que passa o país. Pois o amor não conhece classe social. Mas também é importante dizer que não se deve confundir trabalhar COM amor e trabalhar POR amor. Há muitas pessoas que trabalham POR amor e que não são remuneradas. E há quem seja remunerado trabalhando COM amor ao que faz. Ser ou não ser remunerado financeiramente não torna uma pessoa mais ou menos amorosa. Nem mais ou menos amada. Talvez, para alguns, uma pessoa (bem) remunerada se torne mais intere$$ante, o que é bem diferente de ela se tornar mais amada por isso. Há coisas que o dinheiro não compra. E há outras que o dinheiro corrompe. Mas há também os que vivem e trabalham SEM amor. E a falta de amor afeta do íntimo ao profissional. E do público ao privado.Hoje, em linhas gerais, o que se pode se constatar de negligências na saúde, na política, na vida doméstica e na educação são consequências das ações de pessoas MAL AMADAS. E mal amadas desde sempre. Desde a infância. Pessoas que projetam nos outros, pública ou intimamente, seu déficit de amor ou sua dificuldade de amar. O que resulta num efeito dominó que vai desde as particularidades do seio familiar, aos setores públicos e profissionais, a que estejam envolvidas. Daí a importância aos cuidados que se deve ter com a vida emocional... o alicerce de todo ser humano. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Autor: Anderson Gomes Psicólogo Clínico

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Nudez Masculina

Nudez frontal masculina tratada demaneira muito natural, ao som de "Guerreiro Menino", numa apresentação cênica, em canal aberto (Globo). Aos poucos, o pênis, que era vistocomo "agressivo" aos olhos televisivos, passa pela"censura" em determinados horários e mostra sua "versão"natural e não ameaçadora. Ou seja, a nudez genital masculina começa a ter amesma naturalidade que a nudez genital feminina, até então explorada em váriasvertentes. Desde o início do mundo, a nudez humana foi a primeira coisa que secensurou quando foi descoberta. Segundo a versão bíblica da origem humana:quando Adão e Eva se aperceberam que estavam nus, após perder sua imortalidade,eles costuraram folhas de figueiras para cobrir seus órgãos genitais,envergonhados. Desde então, o nu do corpo humano passou a ser encaradoreligiosa e culturalmente como vergonhoso, restrito ao casamentoheteronormativo e a sua exibição pública passou a ser tratada como afronta àigreja e punida com morte. Ou seja, a nudez humana, desde os começo dos tempos,é associada à morte e sentenciada a ela - ainda em alguns países.Seja ela masculina ou feminina, anudez genital não precisa continuar sendo vista como algo sombrio e/oupecaminoso. Mas, desde muito cedo, pais e filhos podem e devem tratar sobre oassunto com NATURALIDADE ou buscar ajuda profissional (psicológica) para dar aotema o tom leve que ele pode ter. Pois muitos pais reproduzem em seus filhos aeducação repressora que receberam. Assim, não só a genitalidade pode ainda serum tabu, em nossos dias, como também a SEXUALIDADE que a contorna. O que nãosignifica que uma sexualidade reprimida não possa ser tratada em seus sintomas.Todo e qualquer ser humano pode reaprender tantas vezes quanto deseje. Todo(re)aprendizado é possível, desde que o sujeito manifeste o seu DESEJO.Sexualidade é desejo. Sexualidade pode ser vivida e sentida tanto no corpoquanto na alma (psiquê).Assim como foi demonstrado noprograma: "AMOR E SEXO". Sem alardes, sem sensacionalismo, aapresentação DESNUDOU literalmente o corpo e a alma masculina mostrando quemasculinidade é uma coisa e machismo é outra; demonstrando que: "Guerreiros são pessoas. São fortes, são frágeis. Guerreiros são meninos, No fundo do peito. Precisam de um descanso. Precisam de um remanso. Precisam de um sonhoQue os tornem refeitos"(FAGNER).
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 Autor: Anderson Gomes  

(Psicólogo clínico) 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Saúde Emocional

Hoje, o passeio com minha cadela me fez pensar em como está o nível de vulnerabilidade emocional de muitas pessoas; especialmente idosos que, além do emocional, se encontram vulneráveis fisicamente.💔 
Tenho tido a oportunidade, ultimamente, de encontrar pessoas avançadas em idade para escutá-las. Hoje foi outro dia desses. Em meu passeio noturno, eu e minha cadela, fomos abordados por uma senhora cristã. Eu não a conhecia. Muito abalada emocionalmente, do nada, começou a desabafar. Dizia que ao passar por um bando de mal encarados, um deles a incomodou com a seguinte frase:
━ O demônio é mais rápido que Deus!
Aquela senhora se dirigiu ao autor da frase e o questionou com a Bíblia encostada no peito dele. Citou o nome de vários de espíritos imundos (segundo sua crença), e bateu com seu chinelo no chão, na frentes dos presentes, para retirar o pó de qualquer vestígio negativo que a pudesse acompanhar após sair dali. Escutei tudo atentamente. Ela chorava. Disse não saber o que fazer e se sentira atingida com as palavras daquele homem que, segundo ela, quis lhe atingir.
━ Aquela frase foi direcionada a senhora? ━ Perguntei enquanto ela se acalmava.
━ Sim, pois se atinge ao meu Deus, atinge a mim também. ━ Respondeu ela.
━ Mas será que Deus se sentiu atingido? ━ Repliquei.
Aquela senhora fez um ar de pensativa. Já não estava falando disparada ou aceleradamente, como no início do seu relato. Ela ainda disse que se expôs ao perigo ao se dirigir a desconhecidos; mesmo estando sozinha, citando ali nomes de espíritos imundos que sua crença religiosa proferia durante os cultos.
━ Então a senhora sabe que se expôs ao perigo e ainda citou a eles nomes de espíritos imundos de sua crença religiosa... ━ Enfatizei.
━ Mas na minha igreja se faz assim...
━ Mas a senhora não estava na sua igreja. NAQUELE MOMENTO a senhora estava numa rua perigosa, sozinha e em determinada hora do dia que não facilitava socorro.
Pra resumir a história, aquele encontro inesperado terminou com aquela senhora em um estado mais tranquilo e podendo ir embora aliviada. Antes, me agradeceu por ouvi-la. Dei-lhe um forte abraço e ela se foi.
Com este relato, gostaria de chamar atenção para a forma como muitas pessoas podem se sentir atingidas pela palavra do outro ━ mesmo quando não se refere a elas.
Quantas vezes ouvimos aquela famosa expressão:
━ Mexeu com fulano, mexeu comigo?Será mesmo que fulano se sentiria tão mexido quanto você? As pessoas podem ter personalidades diferentes; reações diferentes; emoções diferentes e pontos de vista diferentes uma das outras. A maneira como somos criados, educados ou conduzidos na vida pode influenciar, em muito, nas nossas perspectivas de vida; Podem influenciar, inclusive, na maneira como lidamos com as coisas: como se fosse uma questão de vida ou morte: daí a exposição a tantos perigos presenciados em nosso dia a dia.
Cuidemos de nossas emoçes...pois o coraçã não é coletivo. Cada um é responsável pela saúde emocional do próprio coraçã e pelos cuidados que se presta a ele. No mundo caótico em que estamos vivendo, acaba-se esquecendo que, por mais saudável que esteja o coraçã:
━ ele só pode bater uma batida de cada vez... e em um peito por pessoa.
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Anderson Gomes

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Bissexualidade em Cena

Fui assistir: "Minha mãe é uma peça 2" e gostaria de fazer uma crítica "sexual". Antes, acho interessante dizer que é uma comédia leve, gostosa de assistir, regada a boas doses de gargalhadas. Situações corriqueiras vistas e discutidas no dia a dia doméstico são transportadas para a tela de cinema. É uma boa opção para se divertir. O filme - em resumo -, fala sobre a dificuldade de uma mãe em admitir que seus filhos mais novos, cresceram e, que eles precisam de seu próprio espaço (longe dela) para se virarem com suas próprias responsabilidades; ao mesmo tempo em que dona Hermínia vai se enxergando, não só como mãe, mas como alguém capaz de cuidar de SI mesma, e finalmente dar um novo sentido a sua vida. Tudo é tratado com bom humor e leveza. Masssss, como psicólogo, eu não posso e nem quero fechar os olhos para alguns detalhes abordados entre uma cena e outra no quesito SEXUALIDADE.
Se é verdade que a vida imita a arte, uma temática reforçou neste filme o "pré-conceito" (conceito preconcebido e desfavorável) sobre BISSEXUALIDADE.
O jargão popular de que bissexual é "gay enrustido" ou "pessoas confusas" é reproduzido entre uma cena e outra.
— Quantas vezes já ouvimos este "pre-conceito" por aí?
— Quantas guerras, internas e externas, são travadas todos os dias entre pessoas e países movidos em nome de uma SEXUALIDADE única?
— Será que a história ainda não nos mostrou o suficiente quanto aos malefícios causados por discriminação?
— Quantos se lembram do holocausto e do seu ideal de raça PURA?
Em relação a sexualidade humana, acho importante contribuir que, pelo menos em psicanálise, não existe na mente humana CLASSIFICAÇÕES SEXUAIS. Não existe siglas na psiquê humana, nem significantes que represente o sexo biológico do sujeito. Isto porque o sujeito do inconsciente não tem sexo. Mas tem sexualidade. Em outras palavras: não existe uma mente azul e outra rosa ou lilás. Assim como não existe uma mente com pênis ou com vagina e outra unissex, onde “poderíamos”, quem sabe, grosso modo, citar o ânus para ambos os sexos, por exemplo.
Não confundamos MENTE com MENTALIDADE. Segundo dicionários, mentalidade é: Estado psicológico; Capacidade ou qualidade mental; Maneira individual de pensar e de julgar.
Mas em relação a mente humana, nos diz Lacan (1985), “no psiquismo não há NADA pelo que o sujeito se pudesse situar como ser de macho ou ser de fêmea. Disso o sujeito, em seu psiquismo, só situa equivalentes — ATIVIDADE e PASSIVIDADE”.
Freud, disso já falava desde o século passado, em várias partes de suas obras. Um de seus textos mais recentes, datado depois da virada do século, nos diz: “Aquilo de que falamos na vida comum como ‘masculino’ e ‘feminino’ reduz-se, do ponto de vista da psicologia, às qualidades de ‘atividade’ e ‘passividade’ [...]. A associação regular destes ‘ativos’ e ‘passivos’ na vida mental reflete a BISSEXUALIDADE dos indivíduos, que está entre os postulados clínicos da psicanálise” (FREUD, 1913).
Embora não exista na mente humana um significante distintivo quanto ao sexo, nela, existe o desejo... e paradoxalmente, todo desejo é sexual. Mas não no sentido biológico. Mas no sentido libidinal. Pois libido é energia sexual. Energia não tem órgão sexual, assim como o desejo também não e nem precisa ter. Pois a SEXUALIDADE HUMANA não se restringe ao plano biofisiológico. Ela é mais abrangente do que se conhece, culturalmente. Sexualidade é desejo. Desejo não tem um único modo específico de obter satisfação; mesmo porque não existe um só objeto capaz de satisfazê-lo plenamente. Uma mesma pessoa pode desejar várias coisas ao mesmo tempo, vários objetos de amor, independentemente de se identificar como homem ou mulher. Ou seja, DESEJO não tem sexo, não tem cor, não tem idade, não tem textura, não tem fronteiras. Desejo não tem limites. Quem tem limite é o sujeito desejante.
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Anderson Gomes
psicólogo clínico
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Referências:
Freud, S. O interesse científico da psicanálise. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (Vol. XIII, pp. 169-192). Rio de Janeiro: Imago,1913).
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Lacan, J. O seminário, livro 11: os quatro conceitos fundamentais da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar,1985.


terça-feira, 3 de janeiro de 2017

HOMOFOBIA: uma questão de SAÚDE MENTAL?

- Há quanto tempo temos ouvido que HOMOFOBIA mata???
🔰Será que para receber a devida atenção, o assunto precisa vitimizar também quem não esteja dentro dos esteriótipos LGBT's?
🔰Quanto falta para se perceber que homofobia também é uma questão de SAÚDE MENTAL e que "SE" é fobia é também questão de tratamento?
Infelizmente vivemos em uma sociedade (re)produtora de homens e mulheres homofóbicos, cuja própria SEXUALIDADE  é reprimida e  "revertida" em agressão ao outro.
Vivemos em um meio que, insistentemente, pede provas ao homem de inúmeros esteriótipos, ditos masculinos como: beberrão, "pegador" e agressivo. Qualquer "figura" que ofusque  os padrões viris  é, mais cedo ou mais tarde, condenado à morte. Qualquer traço delicado ou feminino, visto no filho, que destoe  do que é ensinado  como masculino, é, desde o seio familiar, rotulado e discriminado. Ou seja, uma educação que destina às crianças a serem futuras homofóbicas, uma vez que estas, são obrigados a repudiar, dentro de si, qualquer sinal que ponha em dúvida sua sexualidade "normativa". Uma educação medieval como esta, faz a manutenção de uma sociedade doente e insegura sob seu telhado de vidro. Uma sociedade mais preocupada em não se "contaminar" com o outro do que em tratar as próprias dificuldades. O resultado dessa educação medieval se traduz naqueles que estão mais preocupados em assistir, passivamente, as vítimas que produz, do que em socorrê-la. Assim morreu, Luiz Carlos, um vendedor de doces, no metrô de São Paulo, onde trabalhava honestamente, há 20 anos. Foi morto a ponta pés aos olhos de todos os que estavam ali simplesmente ASSISTINDO. E o que a cena registrada pelas câmeras de segurança mostrou como retrato de nosso país? Mostrou que se alguém defende "bichas" também tem parte com ela e merece igual sentença: a morte. Mostrou também que diante do sangue alheio, o melhor é assistir ou filmar... Não se envolver. Não tomar parte. Talvez, quem sabe, uma self, em dias em que se "glamuraliza" o horror à céu aberto.
O alto índice de violência tem se banalizado; seja no trânsito, no trabalho e até mesmo dentro de casa. Mas uma coisa são as vítimas de assalto. Outra coisa são as vítimas de violência sexual. Matar é crime sob qualquer circunstância, óbvio. Então,  especifiquemos quais circunstâncias se mata, para não generalizá-las. Pois cada crime, tem a sua pena, específica. Infelizmente a homofobia não é crime em todo país... apenas em algumas capitais.
 À imprensa, os criminosos disseram que estavam bêbados e que estavam vindo de uma festa de família. Mas isso não é de se duvidar. E por que duvidaríamos? Afinal, Eram só dois homens arrotando masculinidade contra alguém que feria os brasões viris da família brasileira. Eram só beberrões no auge de sua bravura. O que não quer dizer que todo beberrão seja agressivo ou preconceituoso. Mas que o  "pre-conceito" destina, desde cedo, valores masculinos aos beberrões, especialmente em suas disputas "fálicas" de copo e de corpo.
Diante desses "valores" masculinos, cabe a seguinte reflexão:
- Que tipo de sociedade doente estamos (re)produzindo com esse medo (enrustido) de ter um filho ou uma filha gay? Será que ainda não dá para se perceber que as únicas vítimas da intolerância seremos nós mesmos?
Será que ainda não percebemos que as vítimas não serão só os chamados LGBT's, mas todo o alfabeto do qual fazemos parte?
A maioria das frases que falamos, cotidianamente, têm, no mínimo, um L, um G, um B ou T.... Então para metaforizar, eu pergunto: qual a dificuldade de conversar com todas as letras? Dialogar com elas?
Se há alguma dificuldade, eis uma questão de saúde mental. Merece, igualmente, um mês colorido. Merece a devida ATENÇÃO e tratamento.
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Anderson Gomes
⭕(Psicólogo Clínico)

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

SAÚDE MENTAL e Violência Política

Acabei de cortar minha "juba". Durante o corte de cabelo, um assunto que eu vejo poucas vezes ser comentado nesses lugares:
- o mundo vai se acabar, num tem jeito E do jeito que a política está, só vai de mal a pior. - Dizia alguém, preocupado, e continuou seu desabafo dizendo:
- A minha esposa, desesperada, já me mandou parar com essas conversas. - Concluiu ele.
Eu, ouvi tudo atentamente, enquanto outras pessoas ali discordavam e rebatiam, um pouco nervosas, vertentes políticas. Já de saída, ao final do meu corte, eu disse:
- Esse mundo externo pode até se acabar com suas políticas corrompidas. Mas se não pudermos fazer nada por ele, façamos algo, por nosso próprio mundo interior... O mundo psíquico.💜
Eu não pude dizer muito ali. Era um lugar para cortes de cabelo onde, geralmente, costuma-se conversar sobre futebol, mulheres e marcas de cervejas. Mas poder deixar umas poucas palavras na tentativa de fazê-los pensar sobre um outro mundo, o mundo interno, psíquico, já foi muito suficiente para aquele momento.
Cada pessoa pode cuidar melhor de SI mesma para não se "acabar" com o "acabamento" dos outros. Para isso, muitas vezes se faz necessário ajuda profissional psicológica ou psicanalítica. Nunca é demais investir no tratamento de conteúdos íntimos e pessoais, especialmente nos dias de hoje: dias de violência na política, no trabalho, na escola e nas ruas; outras vezes, há violência até mesmo em casa... O que não deixa de ser corrupção. 
É cada vez mais urgente prestarmos atenção em nossos conteúdos pessoais para que eles não se projetem nos outros em forma de violência; seja esta violência verbal, política ou pessoal. Cada pessoa é responsável por sua própria SAÚDE MENTAL... Seu mundo interior.



segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

O Natal, de fato, existe?

O Natal, de fato, existe?
Para muitos é nascimento.
Para outros é um chiste.
Para uns: contentamento.
Para outros é crendice.
Para muitos é lamento.
Para outros é sorrisos.
Para muitos: dividendos.
Para outros: maluquices.
Para muitos: sentimentos.
Para uns: capitalismo.
Para muitos: uma data.
Para outros é tolice.
Para muitos é tormento.
Para outros é chatice.
Para uns: isolamento.
Para outros: simbolismo.
Para muitos: mangedoura.
Para outros: gorrinhos.
Para uns: investimento.
Pra outros: idolatria.
Para muitos: solução.
Para outros: dívidas.
Para muitos é: resposta.
Para outros: dúvida.
Para muitos: noite feliz.
Pra outros é agonia.
Para muitos é sagrado.
Pra outros: hipocrisia.
Para muitos é o Cristo.
Para outros é Maria.
Para muitos é Noel.
Para outros: fantasia.
Para uns: imaginário.
Pra outros: alegoria.
Para muitos é perdão.
Para outros: nostalgia.
Para muitos: fingimento.
Para outros é família.
Para muitos: comunhão.
Pra outros: fotografia.
Para muitos: mesa farta.
Para outros: mesa vazia.
Para muitos: tradição.
Para outros: mais um dia.
Para muitos: ficção.
Para outros: poesia.
O Natal, de fato, existe?
Se existe no Real, no Simbólico ou Imaginário:
O Natal para existir varia em significados.
 Para muitos é DESEJO,
 Para outros é um trauma.
Para muitos é uma ceia.
Mas para outros é alma.
O Natal, de fato, existe?
Depende do Natal.
Depende do que se insiste.
Depende do sujeito.
Depende da PSIque.
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Anderson Gomes

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

AMAR e ser MOLDADO


Era uma vez, três irmãs: Cinderela: Anastasia e Drizella. O trio não se relacionava muito bem. Mas tinham em comum o mesmo homem e fariam de tudo para consegui-lo. Tudo mesmo: desde prejudicar a concorrência à adaptar-se ao calçado alheio. Nesse mesmo sentido, muitos são aqueles que, na arte de conviver, tentam se adaptar ao outro como se fossem um número para o SAPATINHO de CRISTAL alheio, como nos contos de fada. Mas, por mais que o ser humano seja um ser adaptável, ele não é um número ou um sapato e nem precisa se sentir como tal, moldando-se conforme os pés do seu parceiro. Pois o esforço de esmagar a si mesmo para se emoldurar ao outro, pode gerar "calos", desgastes e angústias: diante do apagamento do desejo de um, pelo desejo do outro. Assim, fora o caso das duas irmãs de Cinderela: Anastasia e Drizella. Ambas tentaram forçar sua entrada no sapatinho que não era delas para conseguir um casamento desejado (pela mãe). Mas quantas vezes esse conto de fadas se reprisa na vida real quando "por amor" se molda à "fôrma" do objeto amado?
 Na arte de conviver, nem sempre é fácil perceber a diferença entre AMAR e ser MOLDADO. Cada ser é único... sem moldes e sem cópias
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Anderson Gomes
[psicólogo clínico]

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

SURPREENDA-SE

"Alguém se foi... alguém partiu.
Alguém chorou... alguém sorriu.
E um olhar distante e frio se despede
 às águas do rio que um dia se formou ali"(ANDERSON GOMES).
A postagem a seguir, se baseia em fatos reais. 
       Casados há mais de 10 anos,  um casal de amigos meus se separaram. O comentário geral foi: "ohhh que surpresa! Por essa, ninguém esperava!"
Mas será que alguém tem que ESPERAR alguma coisa de outro alguém?
"O que eu espero de você é problema meu". Logo,  quem espera pode se desesperar. Pois, n
inguém conhece ninguém. O ser humano nem mesmo se conhece. Por que então esperaria conhecer  um outro?
Freud já dizia:

"O EU não é senhor dentro de sua própria casa".


        Estar casados há mais de 10 anos não quer dizer 10 anos de conhecimento sobre uma pessoa.  Nem SOBRE uma pessoa, nem, SOB uma pessoa. Ou seja, o que está SOBRE está à mostra, fora, externo, exposto, na superfície.
O que está SOB é sempre um mistério.


        Sentados numa pizzaria, eu e meus amigos conversávamos sobre aquela 
separação que um deles estava nos contando a seu respeito. Outros relatos de amigos, ali, também se somaram à mesa. Então, uma fala se sobressaiu ao afirmar:
-- Eu abriria mão da minha felicidade em prol dos meus filhos. -- Disse uma amiga nossa.

Mas, aí eu pergunto: desde quando pai e mãe JUNTOS é sinônimo de felicidade?
Existe a fórmula da felicidade?
Será que existe a equação:
  
pai+mãe(unidos)³=felicidade?

Talvez, esta suposta equação seja uma boa desculpa para "garantir" a felicidade apenas de um dos interessados. O que 
levanta alguns questionamentos:

  1. Quantos filhos cresceram presenciando dentro de casa um "mal estar" entre os pais? 
  2. Quantos filhos, desde cedo, já se sentem responsáveis pela crise da relação de seus progenitores? 
  3. Quantos filhos são usados como argumentos durante uma briga entre casais?
  4. Quantos filhos nasceram para evitar uma separação?
  5. E quantas pessoas vivem presas a um relacionamento que só existe no campo da fantasia delas?

          Talvez, esta não seja a sua situação, caro leitor. Mas, esta é uma situação muito conhecida em nossos dias. Digo - conhecida - porque comum sempre foi. Pois o "até que a morte nos separe" prometido nas cerimônias religiosas tem se tornado uma tradição. E tradição é tradição. Ou seja, não precisa ter um sentimento NA tradição.
         O 
"até que a morte nos separe" tem cumprido o seu papel. Ou seja, reservado a morte a muitos casais, conforme prometeram. Uma morte, muitas vezes, lenta, sutil e dolorosa ao longo dos anos. Para muitos casais viver sem  desejo, sem prazer e sem amor é, de fato, uma morte. Conservando-se JUNTOS apenas pela tradição. Outras vezes, a não aceitação da possibilidade da separação leva a um dos cônjuges a medidas impensadas. "até que a morte nos separe" pode até matar. Há incontáveis casos de assassinatos conhecidos na mídia. Mas, o comentário geral é:
"Mas fulano era tão dócil. Não matava nem uma mosca."

Mas, sabemos que uma mosca, não é uma pessoa. E aí, logo torno a dizer: ninguém conhece ninguém. "O homem é o momento", já dizia um pensador. É nos momentos que o homem vive  que acontecem as surpresas da vida. Mas surpresas também podem ser POSITIVAS...
        Sabemos quem ninguém casa pensando em separar-se um dia. E antes de se chegar a esta decisão muita coisa deve ser considerada, ponderada, revista e analisada. Nenhuma decisão deve ser tomada de cabeça quente ou do dia para noite como quem troca de roupa. Uma separação de casal pode ser pensada com a mesma IMPORTÂNCIA que se pensou quando um dia resolveram se casar. Mas, se  a separação, de fato, ocorrer, o pai continuará sendo pai e a mãe continuará sendo mãe, podendo olhar para o futuro com novos  olhares. Um futuro diferente daquele que se imaginou um dia. Uma surpresa. O futuro é sempre uma surpresa. Uma surpresa nem sempre fácil de se lidar, mas também não é impossível. Procurar ajuda psicológica sempre é bem vinda se houver necessidade.

          
         Se a vida de casal terminou, outra vida  recomeça a partir de então. A vida está sempre recomeçando a cada manhã para quem tem o DESEJO de vive-la. A vida continua e os filhos também -- com as mesmas responsabilidades que (possivelmente) se ensinara a eles. Com os pais JUNTOS ou não. Até porque pais JUNTOS não quer dizer (necessariamente) pais UNIDOS. Pode-se estar UNIDOS, por exemplo, na criação dos filhos, sem que - esses pais - permaneçam  JUNTOS.

          Pais separados não significa pais irresponsáveis. É aí que a responsabilidade pode dobrar se levarem em consideração um bem estar maior para todos, inclusive para os filhos (adotados ou não). Estudos demonstram que filhos se desenvolvem melhor dentro de um ambiente saudável e estável. As crianças percebem quando alguma coisa dentro de casa vai mal. Engana-se quem acha que pode "tapiar" as crianças ou fazê-las de bobas. Elas percebem tudo à sua volta, especialmente no seio familiar.  

          Novas  experiências poderão ser assimiladas  à PERCEPÇÃO de cada um... independentemente de serem pais ou filhos. Cada um tem sua percepção dos fatos da vida. E para perceber os acontecimentos da própria vida basta viver. Viver, por si só, já é um aprendizado. Não é à toa que dizem que a vida ensina.De que forma? Vivendo. Ou seja, viver as surpresas do HOJE, permitindo as  incertezas do AMANHÃ.
 Pois:

"As melhores surpresas são aquelas que se reservam para QUEM ousa dar uma chance a SI mesmo. Surpreenda-se!" (ANDERSON GOMES).